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Correio da Bahia(Folha)
Segunda-feira, 13 de dezembro de 1999

- reportagem: Sandro Lobo -

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Lançamento do livro Desespero e Maldade 

Portas da Percepção

Criadora da Psicoterapia Gestaltista, Vera Felicidade lança hoje, no Theatro XVIII, seu sexto livro, 'Desespero e Maldade - Estudos Perceptivos Relação Figura-Fundo'

O estado de violência e bestialidade em que se encontra o mundo neste final de século (que não é um privilégio da época) tem despertado a atenção de diversos estudiosos das mais variadas áreas. Mesmo a sociologia não tem conseguido dar conta da abrangência da questão, em cujo cerne está a forma de estruturação psicológica do ser humano. "A não-aceitação do indivíduo e o deslocamento decorrente dos impasses não enfrentados concorrem para a existência da maldade, que não é intrínseca ao humano", afirma a psicoterapeuta gestaltista Vera Felicidade de Almeida Campos, que lança hoje seu sexto livro, Desespero e maldade - Estudos perceptivos relação figura-fundo (Edição da Autora, 104 páginas, R$20), às 18h, no Theatro XVIII, Pelourinho.

"Não há um bem, não há um mal", defende Vera Felicidade - como é mais conhecida -, considerada o maior expoente em Psicologia Gestaltista da América Latina. "A maldade não resulta de condições sociais e econômicas adversas, tanto quanto não é um instinto humano, nem a ausência de Deus, nem a presença do demônio". Segundo ela, a relação das pessoas com a percepção que têm de si próprias, do outro e do mundo é o que estrutura o que chamamos "humano" - mas também o desumano. A partir dos estudos da percepção, ela procura responder a uma questão específica: por que nos comportamos como nos comportamos. Criadora da Psicoterapia Gestaltista, ela foi buscar nos gestaltistas clássicos, como Köeller e Wertheimer, mas especialmente Kurt Koffka, conceitos a partir dos quais desenvolve seu trabalho.

Em seu novo livro, Vera Felicidade vai retomar questões que interessavam a Koffka, como "por que se vêem as coisas como se vêem". Para estruturar a psicoterapia, ela transpôs os conceitos da psicologia gestaltista. "O objetivo é a estruturação do indivíduo, de forma que ele se aceite como ser no mundo", diz. O enfoque é na relação figura-fundo, seja no visual, táctil, gustativo ou olfativo. "Antigamente, achava-se que nós estávamos no mundo, captávamos as coisas pela sensação, elaborávamos pela percepção e isso dava a consciência. O gestaltismo vem acabar com esse dualismo entre percepção e sensação: você capta o que você percebe, não tem que elaborar".

Uma experiência feita ainda à época de sua formação no curso de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) acabou entrando para o novo trabalho. Nela, a psicoterapeuta reuniu alguns deficientes visuais no Museu do Índio, e constatou que eles podiam "conhecer" os objetos que lhes eram apresentados, como tacapes, lanças e cocares, entre outros. "Os gestaltistas já haviam descoberto que há uma transponibilidade da forma, ou seja, das percepções; um cego de nascença não tem o engrama, a memória de uma experiência visual, mas podia perceber pelo táctil ou pelo olfativo, por exemplo".

Trabalhando há 31 anos na área, Vera radicalizou suas conceituações no âmbito da percepção. "Nós somos o que nós percebemos, agimos conforme o que percebemos; mas a percepção é um átimo no presente, a gente tem memória, história, uma série de percepções que vão se sucedendo, então a gente percebe em 'x' e imediatamente contextua em 'y' (que é uma percepção anterior, a memória). O prolongamento da percepção do presente é o pensamento. Neste livro, eu digo que a gente pensa muito e percebe pouco: se seguíssemos o que a gente percebe, haveria menos preconceito, menos compromisso e mais disponibilidade". Quem quiser mais informações sobre Vera Felicidade, pode acessar a internet no endereço www.verafelicidade.com.br

FICHA

Livro: Desespero e maldade - Estudos Perceptivos Relação Figura-Fundo
Editora: Edição da Autora, 104 páginas
Preço: R$20
Local: Theatro XVIII
Horário: A partir das 18h

BIBLIOGRAFIA DA AUTORA

Psicoterapia Gestaltista - Conceituações (Edição da Autora, 1973)
Mudança e Psicoterapia Gestaltista (Zahar Editores,1978)
Individualidade, questionamento e Psicoterapia Gestaltista (Alhambra, 1983)
Relacionamento - Trajetória do humano (Edição da Autora, 1988)
Terra e Ouro são iguais - Percepção em Psicoterapia Gestaltista (Jorge Zahar Editor, 1994)

Nem Deus nem diabo

Normalmente, livros do universo da Psicologia são extremamente difíceis para o público leigo, porque exigem um prévio conhecimento da linguagem e algum entrosamento com as diversas linhas de pensamento. No caso de Desespero e maldade - Estudos perceptivos relação figura-fundo, de Vera Felicidade, este público não-iniciado não precisa ficar apreensivo no que toca à possibilidade de compreensão do livro.

"Dá para entender, mesmo eu utilizando todo um arcabouço teórico-conceitual, que é um pouco duro e realmente requer alguma formação. Mas na segunda parte do livro eu vou justificar o meu conceito de maldade, para entender toda essa violência, mil situações absurdas, como o holocausto, a violência contra a mulher na Índia; isso está no universo de qualquer pessoa e não pode ser entendido como neurose, ou aquelas explicações que falam de um instinto do mal. Não é Deus, não é o Diabo, o que pode ser então?".

A resposta genérica, segundo Vera, é a de que a não-aceitação cria deslocamentos absurdos, como a violência. "Essa constatação está presente nos meus outros trabalhos, mas eu afinei mais o conceito em Desespero e maldade. No fundo, essa é toda a minha preocupação teórica, porque eu estou o tempo inteiro em interlocução com esses gestaltistas clássicos, Koffka, Wertheimer e Köeller, de 1912", conta. Para Vera, aquele foi um grande momento científico da Psicologia. "Mas depois da Primeira e Segunda Guerras, tudo o que era feito in Germany, especialmente no campo do pensamento, passou a ser execrado pelo mundo ocidental, que não absorveu aquelas descobertas", conclui.

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